LIVRO: Transdisciplinaridade e a Educação do Futuro

Na abertura da edição, os organizadores nos dizem: “Em novembro de 2018, decidimos reunir em Brasília pensadores de várias áreas do saber para dialogar em torno da seguinte pergunta: o que
esperamos para o futuro e qual o papel da educação nas transformações sociais e culturais que almejamos? O evento visava tratar dois eixos norteadores: as emoções e a alteridade. Entendíamos a necessidade de ceder espaço à complexidade da natureza humana e não humana em sua dimensão
não apenas racional, mas também emocional, na perspectiva de uma unidualidade fundamental em que nenhum aspecto pode ser relegado em favor de outro”. Dos desejos e utopias expressos no evento, surgiu o livro “Transdisciplinaridade e a Educação do Futuro”.

Organizado pelo coordenador do Grupo Siruiz, Gustavo Castro, e professores-pesquisadores Florence Dravet, Florent Pasquier e Javier Collado, o livro traz uma série de textos extraídos das exposições que ocorreram durante o evento.

BAIXE AQUI: Livro_Transdisciplinaridade e educação do futuro_web (2)

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(Imagem em destaque: quadro do artista Simon Kenny)

BIENAL DE COIMBRA

Sob curadoria do brasileiro Agnaldo Faria, a Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra (Anozero’19) traz da literatura de João Guimarães Rosa o seu tema: A Terceira Margem do Rio.


“Ideia de rio como tempo. As margens são fixas e dentro disso, há qualquer coisa que é contínua”

Agnaldo Faria

Cinco frases retiradas do conto escrito por Rosa em 1962 servem como eixos
conceituais para possíveis desdobramentos da bienal:

silêncio — “nosso pai nada não dizia”
passagem — “longe, no não-encontrável”
marginalidade — “passadores, moradores de beira”
invenção — “executava a invenção”
militância — “chega que um propósito”

Toda a informação sobre as várias iniciativas propostas está disponível em
anozero-bienaldecoimbra.pt

“A TERCEIRA MARGEM DO RIO”

Nota sobre “A terceira margem do rio” (Alcides Vilaça, USP)

Bem ao modo de Guimarães Rosa, este conto curto de “Primeiras estórias” é um híbrido de arquétipo, mito fundador, alegoria e causo mineiro. Graças a essa composição, interpreta-se de muitos modos, abre-se em diferentes chaves, para quem já não se deleita em ficar com o encantamento simples de historieta imaginosa narrada em língua rosiana. O “fantástico”, para Rosa, é um outro estatuto da “realidade”, e ambas as margens se cruzam na do meio, que ele cria, e são essas as águas que lhe interessam. Na aberta riqueza do conto, que inclui a questão do legado paterno, da herança filial, do compartilhamento de destino, da viagem inefável, da missão sacralizada, está a resposta rebelde e decidida de Rosa ao impositivo “tertius non datur” das tantas binomias humanas. A decisão do pai de desviar a rota familiar, no compromisso de assumir a canoinha individual, pode ser vista como uma quebra nas sagas tradicionais por um solitário Ulisses sertanejo, agora em travessia sem porto.

Tremenda, assustadora travessia: o filho eleito, de sua margem firme, não responderá ao aceno do pai/fantasmático, na hora de substituí-lo no posto a vagar. “Sou homem, depois desse falimento?” – pergunta-se o herdeiro desistido, para em seguida responder: “Sou o que não sou, o que vai ficar calado”. A aposta do criador Guimarães Rosa parece sempre ter sido a de inaugurar espaços não sabidos, a partir do encontro das tradições com as invenções. Precisou para essa façanha de uma nova língua – essa terceira margem insuspeita da linguagem, espaço entre as coisas e os nomes, onde se procura e se busca estabelecer o sentido do que ainda não sabemos, e que tanto pede ao nosso compromisso de compreensão.

ALCIDES VILLAÇA é professor de literatura brasileira na USP, autor de “Passos de Drummond”
(ed. Cosac Naify).

Guimarães Rosa: A Terceira Margem do Rio | Yudith Rosenbaum (FFLCH – USP)

5 contos existenciais: “A Terceira Margem do Rio” de Guimarães Rosa | Noemi Jaffe

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